Dissertação

Assembleia de borboletas frugívoras (Lepidoptera, Nymphalidae) em diferentes estratos florestais ao longo de um gradiente topográfico na Amazônia Central

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A Amazônia abriga uma vasta diversidade de ecossistemas, especialmente as florestas de terra firme, que representam aproximadamente 84% da cobertura florestal da região. Apesar de parecer homogênea, essas florestas apresentam grande variação topográfica. As áreas mais altas e bem drenadas (platôs) oferecem condições microclimáticas diferentes das áreas baixas (baixios) mais úmidas e próximas aos riachos. Essa variação de umidade e outros fatores relacionados podem afetar organismos que exploram diferentes estratos. Independentemente da topografia, o dossel das florestas apresenta condições contrastantes ao sub-bosque. O objetivo do presente estudo foi investigar como as assembleias de borboletas frugívoras estão estruturadas em diferentes estratos florestais ao longo de um gradiente topográfico na Amazônia central. A amostragem foi realizada entre junho e setembro de 2024 na Reserva Florestal Adolpho Ducke (Manaus - AM), em 30 parcelas distribuídas a cada 1 km. Em cada parcela, instalamos oito armadilhas atrativas do tipo Van Someren Rydon, posicionadas em pares no sub-bosque e no dossel (quatro por estrato), que permaneceram ativas por seis dias, totalizando 1440 armadilhas-dia de esforço amostral. Amostramos 90 indivíduos pertencentes a 29 espécies de borboletas frugívoras. A espécie mais abundante foi Bia actorion com 15 indivíduos coletados, Satyrinae foi a subfamília mais abundante na amostragem geral representando 45,56% do total de indivíduos, seguidas das subfamílias Charaxinae (30%), Biblidinae (12,2%) e Nymphalinae (12,2%). No sub-bosque, coletamos 65 indivíduos de 21 espécies, Satyrinae foi a subfamília mais abundante. No dossel, registramos 25 indivíduos de 15 espécies e Charaxinae foi a subfamília mais abundante. A curva de rarefação não atingiu uma assíntota, mas o sub-bosque foi relativamente mais bem amostrado, apresentando 80% de completude amostral, em comparação com os 60% do dossel. No sub-bosque, a abundância foi negativamente relacionada com a altitude (p = 0,039), enquanto no dossel a riqueza e abundância aumentaram com a altitude (p = 0,037) e o teor de areia no solo (p = 0,027). A composição de espécies variou entre os estratos (p = 0,001). No entanto, somente no sub-bosque essa composição foi influenciada pela altitude (p = 0,015; R²= 0,072) e pela inclinação do terreno (p = 0,043; R² = 0,072). A estratificação vertical da floresta exerce um papel central na estruturação da assembleia de borboletas, enquanto a topografia apresenta efeitos sutis e dependentes do estrato. No entanto, as variáveis analisadas explicaram pouco da variação observada, com valores de R² relativamente baixos nas regressões (Altitude: R²= 0,072 e inclinação: R²= 0,072), indicando que a extrapolação dos resultados deve ser feita com cautela.

Abstract:

The Amazon harbors a vast diversity of ecosystems, particularly terra firme forests, which account for approximately 84% of the region’s forest cover. Although they may appear homogeneous, these forests exhibit significant topographic variation. Higher, well-drained areas (plateaus) provide distinct microclimatic conditions compared to lower, more humid areas (valleys) near streams. This variation in moisture and related factors can affect organisms that exploit different forest strata. Regardless of topography, the forest canopy presents conditions that contrast sharply with those of the understory. The main goal of the present study was to investigate how fruit-feeding butterfly assemblages are structured across different forest strata along a topographic gradient in central Amazonia. Sampling was conducted between June and September 2024 in the Adolpho Ducke Forest Reserve (Manaus – AM), across 30 plots spaced 1 km apart. In each plot, we installed eight Van Someren-Rydon bait traps, placed in pairs in the understory and canopy (four per stratum), which remained active for six days, totaling 1,440 trap-days of sampling effort. We sampled 90 individuals belonging to 29 species of fruit-feeding butterflies. The most abundant species was Bia actorion, with 15 individuals collected. Satyrinae was the most abundant subfamily overall, representing 45.56% of the total individuals, followed by Charaxinae (30%), Biblidinae (12.2%), and Nymphalinae (12.2%). In the understory, 21 species and 65 individuals were collected, with Satyrinae as the most abundant subfamily. In the canopy, 25 individuals representing 15 species were recorded, and Charaxinae was the most abundant subfamily. The rarefaction curve did not reach an asymptote in either stratum, but the understory was relatively better sampled, with 80% sample completeness compared to 60% in the canopy. In the understory, abundance was negatively related to altitude (p = 0.039). In contrast, in the canopy, richness and abundance increased with altitude (p = 0.037) and sand content (p = 0.027). Species composition differed between strata (p = 0.001). However, only in the understory was composition influenced by altitude (p = 0.015; R² = 0.072) and slope (p = 0.043; R² = 0.072). The vertical stratification of the forest plays a central role in structuring butterfly assemblages, whereas topography shows subtle, stratum-dependent effects. However, the analyzed variables explained only a small portion of the observed variation, with relatively low R² values in the regressions (Altitude: R² = 0.072; Slope: R² = 0.072), indicating that results should be extrapolated with caution.

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