Diversidade específica em Microsternarchus (Gymnotiformes: Hypopomidade) da bacia do rio Negro e comportamento agonístico em cativeiro de uma nova espécie do gênero
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Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - INPA
Resumo
Os Gymnotiformes da América Central e do Sul possuem órgãos elétricos e eletroreceptores
utilizados para a localização ativa de objetos e organismos e para as interações sociais intra e
interespecíficas. O conhecimento cada vez mais generalizado dentro da ordem é de que a
diversidade específica destes organismos se encontra bastante subestimada. O gênero
monotípico Microsternarchus apresenta variações em relação à sua morfologia externa e
características da DOE e estudos realizados sobre a diferençiação genética entre populações
de Microsternarchus da bacia do rio Negro mostraram a sua separação em cinco linhagens
distintas, com valores elevados de divergência. O comportamento agonístico compreende
padrões comportamentais de ajuste a situações de conflito entre indivíduos da mesma espécie
ou de espécies diferentes. Os “displays” comportamentais dos Gymnotiformes dependem de
elementos físicos/motores e das informações codificadas pela Descarga do Órgão Elétrico.
Esta é altamente variável e cada espécie possui um repertório único, devido à especialização
de mecanismos de regulação e modulação, que a torna numa poderosa ferramenta de
comunicação. Os métodos de análise filogenética têm vindo a causar impactos significativos
em muitas áreas de estudo, incluindo o estudo da evolução da comunicação animal. A
compreensão das relações filogenéticas entre os diferentes grupos de peixes elétricos ainda é
incipiente, mas esta abordagem promete subsidiar um melhor entendimento sobre o valor
adaptativo do comportamento animal, fundamental para a compreensão da dinâmica
ambiental na Amazônia. Este trabalho teve como objetivo principal contribuir para o
entendimento dos mecanismos de especiação e significado adaptativo da eletrocomunicação,
através da utilização de Microsternarchus como modelo de estudo. Para tal, foi feita uma
análise sobre a variação morfológica e da DOE das linhagens identificadas para a bacia do rio
Negro, e uma análise da variação dos “displays” agonísticos motores e elétricos exibidos por
uma nova espécie de acordo com o contexto social intra e interespecífico, este último
variando de acordo com as relações filogenéticas entre as diferentes espécies. Os resultados
apontam para que o gênero contenha quatro espécies ainda não descritas. A espécie utilizada
para o estudo do comportamento agonístico exibe características que permitem a sua imediata
distinção: a presença de um órgão elétrico grande e visível a olho nú, e um pulso formado por
uma segunda fase de amplitude bem menor do que a primeira. A sua DOE partilha vários
aspectos temporais e espectrais com Racenisia fimbriipinna (gênero irmão), que não acontece
com Microsternarchus bilineatus, o que reforça a necessidade de uma revisão taxonômica e
sistemática do gênero e dos respectivos relacionamentos filogenéticos. A nova espécie exibe
um comportamento agressivo intraespecífico com o estabelecimento de relações de
dominância entre peixes do mesmo sexo e de sexos opostos. A competição entre as fêmeas
apresentou níveis superiores de agressividade do que entre machos e estas se mostraram
sempre dominantes em relação aos machos. Como resultado, ocorreram alterações na forma
de onda da DOE e os animais submissos alteraram um maior número de parâmetros do que os
dominantes. A taxa de repetição parece ser um parâmetro importante para o estabelecimento
de relações de dominância entre indivíduos do mesmo sexo e os machos, quando na presença
das fêmeas, apresentaram um pulso menos alongado. A exposição a diferentes ambientes
sociais interespecíficos revelou a existência de índices de agressividade e relações de
dominância distintos que parecem estar relacionados com a distância filogenética entre as
espécies. A taxa de repetição e a forma de onda parecem também desempenhar papéis
relevantes nos processos de reconhecimento interespecífico.
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